24 de abril de 2012
Relação entre opioides e câncer: IAHPC divulga novos fatos
A diretoria da International Association of Hospice and Palliative Care (IAHCP), juntamente com a European Association for Paliative Care (EAPC), divulgou no início de abril um documento em que se posiciona sobre os artigos polêmicos [referências 1,2, 3], publicados na edição de abril do jornal da American Society of Anesthesiologists (ASA). Esses artigos, juntamente com um comunicado à imprensa da Universidade de Chicago [referência 4], sugerem que medicação opioide pode induzir ao câncer.
Com este documento, a IAHPC vem à público esclarecer e posicionar-se em relação a esse assunto e solicita a todos – médicos, profissionais de saúde, pacientes e cuidadores – que evitem qualquer julgamento precipitado visto que, como será demonstrado a seguir, as evidências não são conclusivas e os benefícios dos opioides ainda superam em muito seus prováveis efeitos negativos.
A diretoria da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) concorda com os argumentos da IAHPC e também pede a todos – médicos, profissionais de saúde, pacientes e cuidadores brasileiros – que mantenham seus procedimentos enquanto estudos mais conclusivos não sejam publicados.
Leia, a seguir, o Esclarecimento Público da IAHPC traduzido para o português.
Esclarecimento Público
Lukas Radbruch, M.R. Rajagopal, Liliana De Lima, Eduardo Bruera, David Currow, Roberto Wenk, Jim Cleary, Carla Ripamonti and Michael I. Bennett, membros do comietê científico da International Association for Hospice and Palliative Care
Apesar da discussão – sobre se opioides induzem ao câncer -acontecer há muito tempo, os estudos, até agora, não são conclusivos. Muitas resultados foram conseguidos através de pesquisas com células germinais ou de animais, sem aplicação em seres humanos. Opioides interagem com uma vasta gama de receptores e seus efeitos parecem ser diferentes em estudos in vitro (experimentais) e in vivo (com animais ou seres humanos).
Além disso, duas revisões recentes, Afsharimaniet al. 2011[5] and Gach et al 2011[6], concluem que a ação dos opioides nos tumores ainda necessita de mais dados, visto que foram observados igualmente dois tipos de efeitos: de crescimento e de inibição.
Com este documento, a IAHPC vem à público esclarecer e posicionar-se em relação a esse assunto e solicita a todos – médicos, profissionais de saúde, pacientes e cuidadores – que evitem qualquer julgamento precipitado visto que, como será demonstrado a seguir, as evidências não são conclusivas e os benefícios dos opioides ainda superam em muito seus prováveis efeitos negativos.
A diretoria da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) concorda com os argumentos da IAHPC e também pede a todos – médicos, profissionais de saúde, pacientes e cuidadores brasileiros – que mantenham seus procedimentos enquanto estudos mais conclusivos não sejam publicados.
Leia, a seguir, o Esclarecimento Público da IAHPC traduzido para o português.
Esclarecimento Público
Lukas Radbruch, M.R. Rajagopal, Liliana De Lima, Eduardo Bruera, David Currow, Roberto Wenk, Jim Cleary, Carla Ripamonti and Michael I. Bennett, membros do comietê científico da International Association for Hospice and Palliative Care
Apesar da discussão – sobre se opioides induzem ao câncer -acontecer há muito tempo, os estudos, até agora, não são conclusivos. Muitas resultados foram conseguidos através de pesquisas com células germinais ou de animais, sem aplicação em seres humanos. Opioides interagem com uma vasta gama de receptores e seus efeitos parecem ser diferentes em estudos in vitro (experimentais) e in vivo (com animais ou seres humanos).
Além disso, duas revisões recentes, Afsharimaniet al. 2011[5] and Gach et al 2011[6], concluem que a ação dos opioides nos tumores ainda necessita de mais dados, visto que foram observados igualmente dois tipos de efeitos: de crescimento e de inibição.
Gach et al. descrevem que:
a) a morfina – em concentrações clínicas – tem um efeito pró-apoptótico (estimula a morte de células cancerígenas germinais);
b) a morfina inibe a secreção de VEGF (fator de crescimento endotelial vascular produzido por tumores hipóxicos), reduzindo a angiogênese induzida por câncer (crescimento de novos vasos sanguíneos) e o desenvolvimento da doença;
c) em câncer de cólon, a morfina reduz a propagação das células malignas pela inibição da aderência e da migração dessas células da matriz extracelular (ECM);
d) parece haver um efeito dosagem-dependente: altas doses contínuas de morfina reduzem o crescimento de tumores, enquanto dose única ou baixas doses diárias podem promover seu aparecimento.
Mais importante: os dados científicos publicados até agora indicam que a indução do câncer por opioides é efeito colateral menor e raro. Esses dados apontam para a manutenção dos protocolos de uso não somente em altas doses, mas também por períodos curtos.
Mesmo que estudos futuros demonstrem que opioides induzem ao câncer, este efeito negativo é muito menor se comparado aos efeitos positivos que essas drogas trazem para pacientes que sofrem de dor crônica e extrema. Dor não tratada causa estresse, perda de energia, de apetite e piora no estado geral do paciente. Estes sinais podem significar aumento da co-morbidade e diminuição de sobrevida.
a) a morfina – em concentrações clínicas – tem um efeito pró-apoptótico (estimula a morte de células cancerígenas germinais);
b) a morfina inibe a secreção de VEGF (fator de crescimento endotelial vascular produzido por tumores hipóxicos), reduzindo a angiogênese induzida por câncer (crescimento de novos vasos sanguíneos) e o desenvolvimento da doença;
c) em câncer de cólon, a morfina reduz a propagação das células malignas pela inibição da aderência e da migração dessas células da matriz extracelular (ECM);
d) parece haver um efeito dosagem-dependente: altas doses contínuas de morfina reduzem o crescimento de tumores, enquanto dose única ou baixas doses diárias podem promover seu aparecimento.
Mais importante: os dados científicos publicados até agora indicam que a indução do câncer por opioides é efeito colateral menor e raro. Esses dados apontam para a manutenção dos protocolos de uso não somente em altas doses, mas também por períodos curtos.
Mesmo que estudos futuros demonstrem que opioides induzem ao câncer, este efeito negativo é muito menor se comparado aos efeitos positivos que essas drogas trazem para pacientes que sofrem de dor crônica e extrema. Dor não tratada causa estresse, perda de energia, de apetite e piora no estado geral do paciente. Estes sinais podem significar aumento da co-morbidade e diminuição de sobrevida.
Implicações para os Cuidados Paliativos
Os benefícios dos Cuidados Paliativos estão mais do que comprovados. Estudos indicam que a intervenção das equipes multiprofissionais geralmente aumenta o uso de opioides, contudo há também aumento da sobrevida dos pacientes. Um artigo de Temel et al[7] mostrou que Cuidados Paliativos melhoram a vitalidade e o estado geral dos pacientes.
No mundo todo, pessoas estão sofrendo por causa de dor não tratada ou mal tratada. A IAHCP, como também outras organizações, defende o adequado manejo da dor com opioides.
Por fim, a IAHPC é a favor de novos debates e propostas baseados em evidências científicas que levem à melhoria da qualidade de vida dos pacientes e do cuidado oferecido.
Nota: Esta declaração também está publicada no blog da EAPC: http://eapcnet.wordpress.com/.
Referências:
[1] Lennon FE, Mirzapoiazova T, Mambetsariev B, Salgia R, Moss J, Singleton PA. Over expression of the μ-Opioid Receptor in Human Non-Small Cell Lung Cancer Promotes Akt and mTOR Activation, Tumor Growth, and Metastasis. Anesthesiology. 2012 Apr;116(4):857-867.
[2] Bortsov AV, Millikan RC, Belfer I, Boortz-Marx RL, Arora H, McLean SA. μ-Opioid Receptor Gene A118G Polymorphism Predicts Survival in Patients with Breast Cancer. Anesthesiology. 2012 Apr;116(4):896-902.
[3] Lennon FE, Moss J, Singleton PA. The μ-Opioid Receptor in Cancer Progression: Is There a Direct Effect? Anesthesiology. 2012 Apr;116(4):940-5.
[4] University of Chicago. Evidence mounts for link between opioids and cancer growth Press release – March 12, 2012 http://www.uchospitals.edu/news/2012/20120321-opioid.html
[5] Afsharimani B, Cabot P, Parat MO. Morphine and tumor growth and metastasis. Cancer Metastasis Rev. 2011 Jun;30(2):225-38. Retrieved March 25 from the internet: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21267766
[6] Gach K, Wyrębska A, Fichna J, Janecka A. The role of morphine in regulation of cancer cell growth. Naunyn Schmiedebergs Arch Pharmacol. 2011 Sep;384(3):221-30. doi: 10.1007/s00210-011-0672-4. Epub 2011 Jul 29. Retrieved March 25 from the internet://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21800094
[7] Temel JS, Greer JA, Muzikansky A, Gallagher ER, Admane S, Jackson VA, Dahlin CM, Blinderman CD, Jacobsen J, Pirl WF, Billings JA, Lynch TJ. Early palliative care for patients with metastatic non-small-cell lung cancer. N Engl J Med. 2010 Aug 19;363(8):733-42.
Referências:
[1] Lennon FE, Mirzapoiazova T, Mambetsariev B, Salgia R, Moss J, Singleton PA. Over expression of the μ-Opioid Receptor in Human Non-Small Cell Lung Cancer Promotes Akt and mTOR Activation, Tumor Growth, and Metastasis. Anesthesiology. 2012 Apr;116(4):857-867.
[2] Bortsov AV, Millikan RC, Belfer I, Boortz-Marx RL, Arora H, McLean SA. μ-Opioid Receptor Gene A118G Polymorphism Predicts Survival in Patients with Breast Cancer. Anesthesiology. 2012 Apr;116(4):896-902.
[3] Lennon FE, Moss J, Singleton PA. The μ-Opioid Receptor in Cancer Progression: Is There a Direct Effect? Anesthesiology. 2012 Apr;116(4):940-5.
[4] University of Chicago. Evidence mounts for link between opioids and cancer growth Press release – March 12, 2012 http://www.uchospitals.edu/news/2012/20120321-opioid.html
[5] Afsharimani B, Cabot P, Parat MO. Morphine and tumor growth and metastasis. Cancer Metastasis Rev. 2011 Jun;30(2):225-38. Retrieved March 25 from the internet: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21267766
[6] Gach K, Wyrębska A, Fichna J, Janecka A. The role of morphine in regulation of cancer cell growth. Naunyn Schmiedebergs Arch Pharmacol. 2011 Sep;384(3):221-30. doi: 10.1007/s00210-011-0672-4. Epub 2011 Jul 29. Retrieved March 25 from the internet://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21800094
[7] Temel JS, Greer JA, Muzikansky A, Gallagher ER, Admane S, Jackson VA, Dahlin CM, Blinderman CD, Jacobsen J, Pirl WF, Billings JA, Lynch TJ. Early palliative care for patients with metastatic non-small-cell lung cancer. N Engl J Med. 2010 Aug 19;363(8):733-42.
22 de Abril de 2012
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